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Por que o custo por lead sobe em época de eleição?

Por João Pedro · @ojoaomidias · Gestor de tráfego pago em Goiânia · Publicado em 12 de outubro de 2026 · Atualizado em 12 de outubro de 2026 · 8 min de leitura

Resposta direta

Porque campanhas eleitorais entram no mesmo leilão de anúncios que as empresas, com verba alta e prazo curto. Em 2026, candidatos declararam R$ 215 milhões em impulsionamento até 14 de setembro, R$ 156 milhões só na Meta, segundo o Núcleo Jornalismo. Como o Google não veicula anúncio político no Brasil, a pressão se concentra no Instagram e no Facebook.

Como a eleição entra no leilão da sua empresa

A eleição entra pelo leilão. Meta Ads vende cada exibição de anúncio em disputa entre anunciantes, e o preço sobe quando mais gente disputa o mesmo público ao mesmo tempo.

O indicador que sente primeiro é o CPM, o custo para exibir o anúncio mil vezes. Um candidato a cargo estadual quer alcançar adultos de todo o estado; uma clínica ou uma oficina em Goiânia quer alcançar adultos da cidade. É o mesmo público, comprado no mesmo leilão.

O efeito não depende de a sua oferta ter mudado. A campanha pode estar idêntica à de agosto e, ainda assim, pagar mais por cada mil exibições porque o vizinho de leilão passou a ser uma candidatura com verba concentrada em poucas semanas.

Quanto dinheiro eleitoral disputa o mesmo público em 2026

O volume é recorde. Segundo o Observatório de Impulsionamento Eleitoral do Núcleo Jornalismo, cerca de 6.700 candidatos declararam R$ 215 milhões em impulsionamento até 14 de setembro de 2026, dos quais R$ 156 milhões foram para a Meta.

O UOL apurou em 24 de setembro que os pagamentos à Meta já somavam R$ 167,3 milhões, acima de toda a eleição de 2022. Em Goiás, o jornal O Popular registrou em 3 de outubro R$ 10,5 milhões em impulsionamento declarado pelas candidaturas do estado até o dia 2, valor que já superava os R$ 9,8 milhões de toda a eleição de 2022 no estado.

O calendário define quando a pressão aparece. As datas abaixo seguem o calendário eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral, reproduzido pela imprensa em outubro de 2026:

PeríodoO que aconteceEfeito esperado no leilão
16 de agosto a 1º de outubroCampanha do primeiro turno com impulsionamento pagoMais disputa no Meta Ads, concentrada nas semanas finais
2 a 4 de outubroImpulsionamento vedado e votação do primeiro turnoAlívio temporário
5 a 22 de outubroImpulsionamento retomado para o segundo turnoNova disputa, com menos candidaturas e verba concentrada
25 de outubroVotação do segundo turnoLeilão volta ao padrão comercial

Por que o Google sente menos do que o Instagram

Porque o Google não veicula anúncio político-eleitoral no Brasil. A política de publicidade do Google proíbe esse tipo de anúncio no país desde 2024, com base na definição da Resolução TSE nº 23.732/2024, e por isso o dinheiro das candidaturas não entra diretamente no leilão da Pesquisa.

Há também uma diferença de mecanismo. Na Pesquisa, o leilão é decidido pela palavra digitada, e nenhuma candidatura disputa a busca por conserto de ar-condicionado ou por clínica odontológica em Goiânia.

Isso não torna o Google imune a oscilação. Custo por lead subindo na Pesquisa costuma ter causa dentro da própria conta, e as mais comuns estão em campanha que gasta e não gera orçamento.

O custo por lead subiu e ninguém sabe dizer se é eleição ou campanha?

Faço a leitura da sua conta de Meta Ads e Google Ads em Goiânia e separo o que é leilão do que é problema de campanha ou de atendimento.

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Como separar o efeito da eleição de um problema da própria campanha

Pela decomposição do custo por lead. O custo por lead é o CPM dividido por mil, dividido pela taxa de cliques e pela taxa de conversão, e cada uma dessas peças aponta para um culpado diferente.

  1. Compare períodos com a mesma verba diária. Se o orçamento mudou, a variação de custo pode vir da própria decisão de verba, não do leilão.
  2. Olhe o CPM antes do custo por lead. CPM subindo com o resto estável indica leilão mais disputado, que é o efeito típico da eleição.
  3. Olhe a taxa de cliques. Queda de cliques com CPM estável aponta para criativo cansado, não para eleição.
  4. Olhe a conversão depois do clique. Queda aqui está na página, no formulário ou no atendimento, e nenhuma candidatura explica isso.

Nas duas contas de Meta Ads com campanha de conversa que administro em Goiânia, o custo por conversa de setembro de 2026 oscilou de semana para semana sem acompanhar o calendário eleitoral: numa delas, a semana mais cara e a mais barata do mês foram vizinhas. Por isso a leitura semana a semana, sozinha, engana.

O que fazer com a verba até 22 de outubro

Tratar o período como sazonal, não como defeito. A propaganda paga na internet do segundo turno foi liberada em 5 de outubro e termina em 22 de outubro, segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, e o segundo turno presidencial alcança todo o país, Goiás incluído.

Pausar tudo costuma sair mais caro do que atravessar o período. Campanha pausada perde o histórico recente que orienta a entrega, e o retorno depois do dia 25 começa com custo de reaprendizado.

As decisões que fazem sentido são de equilíbrio: aceitar menos volume no Meta Ads por algumas semanas, reforçar a Pesquisa do Google, onde a intenção é declarada e o leilão eleitoral não chega, e combinar com o dono da empresa que o custo por lead de outubro não será comparado sozinho com o de agosto.

O que a recepção percebe antes do relatório

A recepção percebe primeiro, porque sente o volume por dia. Menos conversas chegando no WhatsApp com a mesma equipe de plantão parece queda de resultado, mesmo quando o custo por cliente fechado continua viável.

O número que protege a decisão é o custo por atendimento qualificado, não o custo por contato. Se a qualidade se mantém, o período eleitoral reduz volume sem destruir a operação; se a qualidade cai junto, o problema provavelmente não é a eleição, e o diagnóstico passa por lead ruim e por rastreamento da origem do lead.

Perguntas frequentes

A eleição deixa o anúncio mais caro?

Pode deixar, principalmente no Meta Ads. Candidaturas compram exibição no mesmo leilão que as empresas e concentram verba em poucas semanas, o que tende a elevar o CPM. Em 2026, os candidatos declararam R$ 215 milhões em impulsionamento até 14 de setembro, segundo o Núcleo Jornalismo. O tamanho do efeito varia por público e região, e não existe medição oficial dele.

Até quando vai a propaganda eleitoral paga na internet em 2026?

No segundo turno, o impulsionamento pago foi retomado em 5 de outubro e pode circular até 22 de outubro de 2026, segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral. A votação acontece em 25 de outubro. Depois do dia 22, o leilão de anúncios deixa de receber verba eleitoral nova, e o custo tende a voltar ao padrão comercial.

O Google Ads também fica mais caro na eleição?

Menos do que o Meta Ads. A política de publicidade do Google proíbe anúncios político-eleitorais no Brasil desde 2024, então a verba das candidaturas não entra diretamente no leilão da Pesquisa. Além disso, a Pesquisa é decidida pela palavra digitada, e candidaturas não disputam buscas por serviço. Aumento de custo no Google costuma ter causa dentro da própria conta.

Devo pausar os anúncios durante a eleição?

Em geral, não. Pausar faz a campanha perder o histórico recente que orienta a entrega, e a volta depois da votação começa com custo de reaprendizado. O mais comum é atravessar o período aceitando menos volume no Meta Ads, reforçar a Pesquisa do Google e avaliar o mês pelo custo por atendimento qualificado, não pelo custo por contato isolado.

Como saber se o aumento do custo por lead é culpa da eleição?

Decompondo o custo por lead em CPM, taxa de cliques e taxa de conversão, sempre com a mesma verba diária nos dois períodos. Se só o CPM subiu, o leilão ficou mais disputado, que é o efeito típico da eleição. Se caiu a taxa de cliques ou a conversão depois do clique, a causa está no criativo, na página ou no atendimento.

JM

João Pedro - João Mídias @ojoaomidias. Gestor de tráfego desde 2019, atuando com Google Ads e Meta Ads para empresas locais de Goiânia e de Goiás. Responsável pela operação João Mídias, que cobre da captação do lead à estrutura de conversão.

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